Os artigos lidos tratam da importância da colaboração na formação de professores de línguas, que pode contribuir para diminuir falhas no processo de formação de professores, tanto em pré-serviço quanto em-serviço. O texto de Sturm ressalta uma preocupação com os professores da rede pública, que tiveram uma formação mais tradicional. Há uma grande preocupação quanto ao que se pode fazer para levar esses profissionais a uma reflexão crítica sobre sua atuação.
Johnston (2009) sugere a visão de aprendizagem como um processo fundamentalmente social, ou seja, como um caminho em que se é capaz de aprender junto, além de apresentar o professor, dentro desse olhar, como não apenas consumidor, mas produtor de conhecimento e compreensão sobre o ensino e argumenta que com o engajamento do professor no desenvolvimento colaborativo, as escolas e os alunos também ganham. De acordo com Burns, o trabalho colaborativo e/ ou a pesquisa-ação não tem somente como intuito a solução de problemas, mas sim e, sobretudo, a possibilidade de criar modelos emancipatórios, socialmente construído, modelos críticos.
Smith (2005), dentro da perspectiva de colaboração, apresenta um trabalho colaborativo entre professores, sugerindo que a pesquisa-ação tem um impacto no crescimento profissional dos professores envolvidos em sua pesquisa. Dessa forma, o desenvolvimento profissional não tem lugar no isolamento, daí o potencial da colaboração como veículo para o crescimento; a relação colaborativa entre os professores ajudou na reflexão sobre o processo de ensino e aprendizagem.
Outra pesquisa, que trata da pesquisa-ação como prática de desenvolvimento profissional e de qualificação, é de Sturm (2008). Nesse estudo, esse tipo de pesquisa é visto como uma prática que possibilita ao professor a reflexão sobre sua prática, contribuindo para o desenvolvimento de sua autonomia. Neste contexto, os professores passam por um processo de compreensão de suas práticas, conseguem defender suas ideias mais firmemente, tudo isso contribuindo para uma postura mais crítica frente às imposições dos outros professores, instituições, etc. Há uma carência desse tipo de trabalho no Brasil, talvez devido à sobrecarga de trabalho dos professores e falta de estímulo financeiro.
Entretanto, seria necessária uma formação teórico-crítica, na qual o professor seja capaz de fazer escolhas. Essa visão converge ao discurso de Paulo Freire, que sugeria a necessidade de professores bem formados, conscientes de sua realidade histórico-social e de sua responsabilidade ética, professores esses que seriam capazes de terem um olhar mais crítico com relação à sua prática e mais consciente de seu papel de educador e produtor do saber. Para essa autora (op. it.), portanto, a pesquisa-ação tem o potencial de gerar reflexão crítica entre os participantes, levando o professor a se olhar mais criticamente, compreendendo melhor a sua prática.
Uma outra quetão abordada por Sturm é o papel da Universidade na formação continuada. Como mencionado anteriormente, há uma carência no desenvolvimento de projetos que promovam as interações entre professores e estudos colaborativos, que possam contribuir para o crescimento da formação crítico-reflexiva. dos professores. O Estágio Supervisionado pode ser uma oportunidade de aproximação entre as escolas (professores) e a Universidade. Um bom trabalho de estágio supervisionado pode trazer o professor da rede pública a uma reavaliação de sua atuação.
Também merece destaque, neste contexto, o supervisor, que tem o papel de mediador entre escola e Universidade. Ainda não há uma definição suficientemente abrangente de quais são as atribuições e responsabilidades do supervisor, pois isto depende muito do contexto, da instituição, entre outros fatores. No entanto, de maneira geral, pode-se considerar que, independentemente do contexto ou do modelo de supervisão adotado, tais responsabilidades e atribuições devem estar voltadas para a melhora da qualidade de ensino.